O Demiurgo

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Revista de Estudos Micronacionais O Demiurgo é uma publicação mensal do Instituto Ibn Khaldun com o apoio do Conselho Real de Micropatriologia do Reino Unidos Dos Açores
Esta é uma reedição da publicação original d'O Demiurgo editada em Fevereiro de 2006. Com a finalidade de preservar o original histórico nada foi editado, portanto o texto contém desatualzações, anacronismos e outros problemas.
Friday, March 12th, 2010
O exame do sentido original das palavras é sempre instrutivo. Quando menos

porque ao perceber as mudanças que um termo passa ao longo do tempo revela
muito sobre a mudança dos valores e até mesmo sobre o processo histórico. Em
alguns casos há o benefício adicional de tentar voltar a dar um sentido -
resgatando o original - a uma expressão que acabou desgastada pelo uso ao
ponto de não significar mais nada.
A palavra tirania é uma destas que de tanto andar de boca em boca acabou
virando uma espécie de xingamento vulgar cujo conteúdo tende a zero como
tantos outros termos ofensivos. Certamente uma pesquisa sobre o significado
do termo acabaria levando a conclusão de que tirania é o governo do qual não
fazemos parte ou o adversário do governo do qual fazemos parte.
Por ironia o sentido original do termo nos primeiros momentos históricos no
qual foi empregado não só não tem o caráter de oposição ao de "democracia"
como em grande parte são termos correlatos e até sinônimos. A democracia dos
gregos era o regime criado pelos tiranos, aqueles que se opunham a democracia
- que de certa forma em seu uso original tem certa dimensão pejorativa
também.

Outras matérias: 
  • Friday, March 12th, 2010

    A construção de uma história fictícia já foi uma parte importante tanto da
    fundação quanto do cotidiano de muitas micronações no passado. Com o tempo
    isto foi perdendo muito da sua força e prestígio e não é incomum que muitas
    das nações surgidas mais recentemente sequer tenham algum projeto relacionado
    a isto e mesmo micronações que no passado preocupavam-se com isto tenham
    relegado a questão a nenhuma ou quase nenhuma prioridade.
    Não é a intenção deste artigo discutir se uma Micronação deve ou não te ruma
    história fictícia, muito menos dizer que as corretas são as que tem ou não
    tem, até porque o objetivo desta publicação não é ditar regras. Tampouco se
    discutirá com maior profundidade a questão do quanto de virtualismo pode ter
    uma nação, embora este debate esteja profundamente conectado a questão que se
    discute.

Friday, March 12th, 2010
Há vasta bibliografia de registros de seitas ao longo de toda a história

humana as quais tem como base a crença de que o mundo não foi criado por
algum ser perfeito, mas é em algum grau uma tentativa frustrada de um ser
inferior - o Demiurgo - de copiar o verdadeiro universo, este sim criado pelo
Ser Superior. Até mesmo correntes materialistas e nada esotéricas adotaram
algo desta simbologia e não é estranho assim que "O Demiurgo" seja um nome
popular de jornais anarquistas.

Friday, March 12th, 2010
O micronacionalismo tem uma curiosa situação na qual em geral o Estado é tudo,

ou quase tudo, e a sociedade tende a zero. Parte da responsabilidade por esta
situação inusitada para qualquer grupo social - em quase todos os demais um
grupo existente decide escolher alguns dentre seus membros para dirigi-lo, se
houver necessidade - se deve ao fato de que é o Estado que "cria" a
micronação, quase sempre do nada.

Outras matérias: 
  • Friday, March 12th, 2010

    Mudança e persistência

    Na história fictícia que estou escrevendo para o Banu Hilal chama a atenção o fato de que dificilmente eles desempenham em duas gerações seguintes o mesmo papel. Políticos sutis e revolucionários iconoclastas, finos cavalheiros e cruéis bandoleiros, combatentes idealistas ou atrozes mercenários, piedosos devotos ou incorrigíveis hereges, ricos mercadores ou piratas insaciáveis, há contudo algo de comum em todos eles: seriam sempre homens de seu tempo, capazes de adaptar-se aos novos tempos, usufruindo das vantagens e desviando-se das dificuldades. Talvez isto explique porque, ao menos de forma lendária, os Banu Hilal figurem como uma das famílias mais antigas dos Açores, ainda que de fato seja a mais nova.
    Lendas seculares construídas há alguns dias à parte, há nesta brincadeira uma determinada concepção da história que é aplicável ao Micromundo. Ao longo de toda a existência deste hobby muitos tem procurado a fórmula perfeita, a receita infalível, a estabilidade inabalável. A arrogância dos micro-profetas quase sempre tem sido atropelada pelos fatos e um cemitério dos modelos definitivos de micro nacionalismo seria bem mais populoso que muitas das micronações.
    O ciclo se repete muitas vezes, uma Micronação inventa algo novo, obtém algum sucesso, é copiada de uma forma ou outra - nem sempre com os "direitos autorais" reconhecidos - por diversas outras, gera uma "moda" - tanto no sentido corrente quanto estatístico do termo - e depois o que era inovador torna-se velho, não raro transformando-se em uma "camisa-de-força".

Friday, March 12th, 2010

I  - A alma e o espírito das utopias
Introdução
Os homens sempre construiram utopias. Das mais evidentes - como a República de
Platão à escrita por Thomas Morus e que deu nome ao "gênero" - até as ocultas
por detrás da projeções futuristas, às vezes buscando seu embasamento na
ciência ou de algum elemento externo - como o marxismo ou a ficção científica
- todas compartilham de um mesmo erro em função da forma pela qual foram
lidas - ou seja, algumas vezes o autor está isento da culpa pela má leitura

Outras matérias: 
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